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O autor e a personagem na atividade estética



Neste livro, Bakhtin se propõe a resolver o problema da relação entre autor e personagem na literatura, e, para isso, ele se utiliza de um método fenomenológico para a análise dos vários aspectos desta questão, espcialmente naquilo que diz respeito ao personagem em si mesmo; para isso, ele busca abordar os aspectos temporais, especiais e semânticos desta inter-relação autor e personagem, centrado nas categorias de Eu e Outro como pressuposto de todos os valores éticos e estéticos. Segundo Bakhtin, autor e persongem precisam ser relativamente autônomos em relação um ao outro, o que significa, mais claramente falando, que ambos não devem se confundir nem um deve se submeter ao outro dentro da obra literária. O autor deve renunciar a usar o personagem como porta-voz das suas opiniões filosóficas, morais e políticas, a fazer dele um auter-ego no mundo da literatura, e, inversamente, o autor não deve se confundir com o personagem. Este, sendo uma totalidade espaço-temporal-semântica possível, deve, antes, ser condicionado pela sua interação com os outros personagems, que é próxima, afetiva, cognitiva, prática, egoísta, ética, etc., etc., e possui também uma relação com o próprio autor, mas esta possui como característica essencial uma certa distância. Evidentemente, essa posição, que o autor descreve com uma profundidade e uma riqueza de detalhes impressionante, permeada por maravilhosos comentários psicológicos, sociológicos e filosóficos a respeito dos sentimentos e relações humans, das formas de pensamento ético, cognitivo, estético, prático, sobre o amor fraternal, familiar ou sexual, e ainda sobre a relação do indivíduo com o seu corpo, sobre a cultura e a história, permeadas por exemplos de obras literárias de grande valor, essa posição de que o autor e a personagem precisam de uma distância e autonomia mútuas em grau mínimo cria alguns problemas para a análise da literatura de poeisa lírica, e para as autobiografias, nas quais o autor e a personagem se confundem. A estética de Bakhtin, portanto, é mais adequada para a poesia épica (Homero, Virgílio, Dante, Milton), trágica (Ésquilo, Sófocles, Eurípides, Shakespeare, Goethe, etc.), cômica (Aristófanes, Shakespeare, Maquiavel), e para o romance de estilo realista. A conclusão de Bakhtin é que o personagem é uma totalidade semântica possível, criada pelo autor a partir de uma possibilidade, todo semântico que constitui o conteúdo a partir do qual será enformada a obra literária segundo o estilo próprio do autor, sendo a linguagem o material linguístico secundário em relação ao conteúdo propriamente dito.


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