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Denotação E CONOTAÇÃO



   ?Em literatura, que é uma ordem da conotação, não há questão pura: uma questão nunca é senão a sua própria resposta (?) dispersa em fragmentos entre os quais o sentido funde e foge simultaneamente.?

(Barthes, 1977: 359, cit. in Aguilar, 2006)


De forma a melhor podermos compreender o modo como a utilização de uma língua pode ter múltiplas interpretações, importa abordar alguns conceitos semânticos ou seja, que têm a ver com o sentido das palavras ou expressões verbais.

1.1- Denotação

Conceito introduzido na linguística por Bloomfield, em 1933, a denotação de um termo é em semântica (disciplina que estuda o significado), o objecto ao qual o mesmo termo se refere, ou seja, o sentido usual ou literal que é dado a uma determinada palavra ou significante. Tal sentido, ou significado, habitualmente apresentado nos dicionários mais comuns, é aquele que mais é actualizado nas conversas objectivas do dia-a-dia. Trata-se pois de um sentido objectivo, explícito e constante ou uma representação verbal de uma realidade palpável.

A linguagem denotativa é basicamente informativa, não produzindo por si só emoção no leitor e surge normalmente na sua actualização escrita em notícias de jornais ou manuais de instruções, entre outros textos. Vejamos o exemplo seguinte:

?A doença de que padecia atacou-lhe o coração?

Na frase exposta, o significante coração corresponderá ao significado órgão vital do corpo humano, sem que outros significados possam daí advir. O próprio contexto dita o significado imediato: uma qualquer doença provocou problemas cardíacos. Aqui está um bom exemplo de denotação.

1.2- Conotação

 L. T. Hjelmslev (1953) introduziu o conceito de conotação na discussão linguística, para traduzir a capacidade que qualquer palavra (signo linguístico) tem de receber novos significados, que se juntam ao sentido original dos dicionários como se fossem notas ou anotações, daí o termo (co-notação).

Conotação é pois o conjunto de sentidos compreendidos na significação de um dado termo ou conceito. Além do sentido literal da denotação, cada palavra ou expressão remetem para inúmeros outros sentidos virtuais, conotativos, que podem ser sugeridos pelo contexto em que ocorre a actualização linguística ou por outras ideias associadas de ordem abstracta e subjectiva.

Se a linguagem denotativa é objectiva, a conotativa será subjectiva e de múltiplos significados. Como exemplo mais comum no dia-a-dia temos os provérbios populares a produzir sentidos sempre conotativos e passíveis de serem actualizados em diversos contextos ou situações.

Repare-se no seguinte exemplo que vem no seguimento do apresentado para a linguagem denotativa:

?Aquela mulher fatal roubou-me o coração?

Aqui, o significante coração terá um significado bem diferente do denotativo. O sujeito da frase não roubou objectivamente o órgão vital do corpo humano, desalojando-o do seu lugar material, antes captou um sentimento forte que terá a sua origem nesse órgão. O coração passa rapidamente de órgão material do corpo humano a um símbolo abstracto desse sentimento que é o amor. Atribuam-se as culpas ou os méritos à linguagem denotativa. Mérito, consideremos nós, aprendizes da linguagem poética, pois que será através de múltiplos artifícios da linguagem denotativa que a primeira vai ser construída, apelando aos sentidos e emoções do leitor.




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